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Lições do cooperativismo
Edinho Bez (*)
27 de Julho de 2010 • 15h25
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O sentimento de colaboração, união e fortalecimento que formam as bases do cooperativismo já renderam excelentes frutos para a economia e a sociedade brasileira. Ao longo dos últimos 120 anos – quando se registra a primeira associação cooperativa brasileira – este modelo só se expandiu, ao passo que o Brasil viveu cíclicas crises entre tempos de crescimento. Daquele 1889 ao ano de 2010, em que o Brasil se mostra um importante ator econômico global, gerações cresceram, trabalharam e fizeram sua renda graças às associações cooperativas.

Atualmente, existem cerca de seis mil cooperativas no Brasil, que geram mais de 170 mil empregos diretos e somam um contingente de 6 milhões de cooperados – nos ramos de saúde, trabalho, educação, habitação, crédito, consumo, serviços, eletrificação e telecomunicações. Este sistema, que visa à prosperidade conjunta em detrimento da individual, se desenvolveu muito bem com o perfil do brasileiro, povo empreendedor e que culturalmente tem apego às relações sociais.

Em 2 de dezembro de 1969 foi criada a Organização das Cooperativas Brasileiras (OCB). Nascia formalmente uma entidade representativa em defesa do cooperativismo nacional, formada pela sociedade civil e sem fins lucrativos, com neutralidade política e religiosa. Desde então, a OCB prestou um trabalho tão relevante para a economia brasileira que, em 1995, um de seus ex-presidentes, Roberto Rodrigues, foi eleito presidente da Aliança Cooperativa Nacional – fato que contribuiu também para um desenvolvimento ainda maior das cooperativas brasileiras. Além da OCB, cito também como exemplo de associativismo o trabalho desenvolvido por mim e colegas do Congresso na Frente Parlamentar do Cooperativismo (Frencoop Nacional), entidade que integro como representante do ramo mineral.

A FRENCOOP está afinada com os anseios dos cooperados espalhados pelo Brasil afora. No Dia Internacional do Cooperativismo, a Frente Parlamentar escolheu para debater em sessão solene o tema "A Mulher e o Cooperativismo: Conquistas e Desafios para o Empoderamento Feminino", uma reflexão sobre como as cooperativas podem gerar autonomia econômica e trabalho para a população feminina. Oportunidade para relembrar Maria Thereza Rosália Teixeira Mendes, a Terezita, que no final da década de 1950 organizou a constituição de dezenas de cooperativas de crédito mútuo em todo o Brasil.

Quero abrir um parêntese para me estender um pouco sobre o cooperativismo elétrico rural no Estado, coordenado pela Federação das Cooperativas de Energia e Desenvolvimento Rural de Santa Catarina (FECOERUSC). São 22 cooperativas espalhadas pelo Estado, que atendem cerca de 171 mil propriedades, uma população de quase 650 mil usuários e que são responsáveis por mais de 50% das redes do interior de Santa Catarina. Estas cooperativas são responsáveis pela operação e manutenção de 22 mil km de redes e ainda projetam, constroem e mantém o sistema elétrico em suas respectivas áreas de atuação.

Desde a implantação da 1ª cooperativa em Santa Catarina em 1959, no então distrito de Forquilhinha, na região sul, o cooperativismo tem sido parceiro e agente de desenvolvimento econômico e social do Estado. A participação dos associados é o principal fator de eficiência empresarial nas cooperativas, que precisam ser competitivas e atraentes. Se não representarem seus associados, ela simplesmente perde a razão de existir. Esta participação exige uma ‘educação cooperativa’, voltada para a conscientização política e social, para a transparência na gestão e para a organização do quadro social. E reside aí um dos segredos do sucesso do cooperativismo brasileiro. Ao contrário de muitas instituições públicas que foram à bancarrota por má gestão e práticas escusas, as cooperativas são o exemplo para administradores e para as pessoas de bem que procuram prosperar à custa de seu esforço, submetido constantemente a aprovação de suas gestões pelos seus cooperados. Não só defendo como tenho orgulho de ser um defensor do sistema cooperativista.

* Edinho Bez é deputado federal pelo PMDB de Santa Catarina
 





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